Sobre o Projeto

Entrevista da professora Dra. Débora Alfaia (coordenadora do Projeto LAAB) ao Programa Universidade Multicampi
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Tema: "Ludicidade Africana e Afrobrasileira"


O Projeto "Educação e Ludicidade Africana e afro-brasileira" foi proposto em março de 2011 e passou a ser chamado, por seus integrantes, carinhosamente de Laab. Tal projeto foi inicialmente apresentado à Faculdade de Pedagogia do Campus de Castanhal, da Universidade Federal do Pará (FAPED/CUNCAST/UFPA) como uma atividade de extensão, composta por oficinas pedagógicas sobre jogos e brincadeiras africanas. A oficina sugerida havia sido apresentada com sucesso na I Semana da Consciência negra do Campus de Cametá, em 2010, e a possibilidade de divulgar o trabalho de pesquisa realizado para montagem desse curso motivou a criação do projeto. O objetivo inicial era oferecer a formação em ludicidade africana à comunidade universitária e aos professores da rede municipal de ensino apenas no período de março a junho de 2011.

Todavia, a submissão do Laab ao edital do Programa de Apoio a Projetos de Intervenção Metodológica, da Pró-reitoria de Graduação, da Universidade Federal do Pará (PAPIM/PROEG/UFPA), versão 2011, ampliou o tempo de vigência do projeto para 10 meses, bem como tornou seus objetivos mais ambiciosos. Além das atividades inicialmente pensadas foram inseridas outras, como a aproximação com as comunidades quilombolas e com o movimento negro de Castanhal, bem como a produção de materiais didáticos sobre ludicidade africana e afro-brasileira. Assim, os objetivos passaram a ser:

  • Promover a formação inicial e continuada de professores para a educação das relações etnicorraciais, por meio da realização de oficinas pedagógicas e da produção de material didático sobre ludicidade africana e afro-brasileira.
  • Pesquisar sobre as manifestações da cultura lúdica africana e afro-brasileira;
  • Ofertar cursos de extensão e formação continuada para professores da Educação Básica, alunos e egressos das licenciaturas sobre a utilização de atividades lúdicas na educação das relações etnicorraciais.
  • Elaborar e publicar materiais didáticos sobre a utilização de jogos e brincadeiras africanas e afro-brasileiras para a educação das relações etnicorraciais.
  • Desenvolver e utilizar recursos de divulgação eletrônica (website) para socializar as atividades do grupo e como mecanismo de publicação eletrônica;
  • Elaborar e publicar artigos sobre a utilização de jogos e brincadeiras africanas e afro-brasileiras para a educação das relações etnicorraciais e sobre a utilização de ferramentas de internet na formação de educadores;
  • Apoiar a produção cientifica dos alunos de graduação sobre a cultura lúdica africana e afro-brasileira e sua utilização na educação das relações etnicorraciais.

A aprovação do projeto no edital PAPIM 2011 fortaleceu o Laab por meio da contratação de bolsista e a montagem de uma equipe de trabalho composta por professores do Campus, pesquisadores na temática racial, alunos de graduação, integrantes da Associação de Consciência Negra Quilombo de Castanhal – ASCONQ – e representantes da 8ª URE, por meio do Núcleo de educação para as relações etnicorraciais – NERER. A sinergia desse grupo foi fundamental para a realização de diversas e importantes atividades de valorização da cultura afro-brasileira e africana.

Os trabalhos realizados pelo Laab foram voltados à implantação da Lei 10.639/2003 e a educação das relações etnicorraciais. Importa destacar que tal legislação alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional intensificando a valorização da diferença. Em decorrência dessas alterações a atual versão da LDB legisla de forma mais atuante e significativa quando determina no artigo 26-A a obrigatoriedade do estudo da história e da cultura afro-brasileira e indígena em toda a Educação Básica, nas escolas públicas ou privadas. O parágrafo 1º deste artigo esclarece que o conteúdo programático incluirá diversos aspectos da história e da cultura afro-brasileira e indígena que caracterizam a formação do povo brasileiro, tais como: o estudo da história da África e dos africanos; a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil; a cultura negra e indígena brasileira; o negro e o índio na formação da sociedade nacional e suas contribuições nas áreas sociais, econômicas e políticas do Brasil. O parágrafo 2º estabelece que esses conteúdos sejam ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, com destaque às áreas de educação artística, literatura e história brasileira. Por fim, o artigo 79-B inclui no calendário escolar o dia 20 de novembro como o Dia Nacional da Consciência Negra.

O trabalho do Laab também se voltou a difundir as noções presentes na Resolução nº 1, de 17 de junho de 2004, que instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das relações Etnicorraciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. O relatório elaborado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), que aprova e regulamenta as Diretrizes Curriculares, indica que o objetivo destas é oferecer uma resposta na área da educação à demanda da população afrodescendente através de políticas de ações afirmativas, isto é, políticas de reparações, reconhecimento e valorização de sua história, cultura e identidade. Assim, tal política curricular busca combater o racismo e as discriminações que atingem a maioria dos negros. Para tanto, propõe a divulgação e a produção de conhecimento, a formação de atitudes, posturas e valores que eduquem cidadãos orgulhosos de seu pertencimento étnico racial, sejam estes descendentes de africanos, povos indígenas europeus ou asiáticos. (Brasil/DCN, 2005).

As Diretrizes possuem como meta assegurar o direito dos negros de se reconhecerem na cultura nacional, bem como o direito de todos os cidadãos brasileiros de terem acesso a uma educação de qualidade e a professores capacitados para lidar com situações produzidas pelo racismo e pela discriminação social. Esses docentes devem ser profissionais sensíveis e capazes de conduzir a reeducação das relações entre os diferentes grupos etnicorraciais que constituem a sociedade brasileira.

Ao trazer a formação docente para o centro do debate, as diretrizes colocam um desafio para as instituições de Educação Superior, responsáveis pela formação inicial e continuada de professores. Enfrentar este desafio se constitui em uma das tarefas assumidas pelo projeto Laab nesses seus oito meses de existência.

Além disso, outra preocupação fundamental do projeto foi ampliar as pesquisas sobre ludicidade africana e afro-brasileira, porque muito da produção nacional sobre o tema ludicidade versa sobre aspectos relativos à herança lúdica europeia. Como explica Kishimoto (1999), a dificuldade de estudar a contribuição africana para o patrimônio lúdico nacional se explica pelo contexto da escravidão, que transformou a herança lúdica africana, chegando a incluir elementos racistas em jogos e versos que se popularizaram no Brasil. Nesse contexto, pensar a contribuição da ludicidade para a educação das relações etnicorraciais é enfrentar o desafio de pesquisar e selecionar jogos e brincadeiras africanas e afro-brasileiras que permitam valorizar a diferença e não afirmar a brutalidade que marcou a chegada dos povos negros no Brasil.

Pensar a ludicidade como estratégia de consolidação da educação das relações etnicorraciais eram (e são) nossos desafios. Desafios assumidos com a coragem e com a alegria que caracteriza os estudos em ludicidade. Desafios vencidos a cada dia com a cooperação de um coletivo que brinca, mas que também luta pela ampliação dos direitos dos negros no nordeste paraense.

Importa esclarecer que em nenhum momento o Laab ousou falar pelas lideranças negras, mas apoiar e dar mais força as vozes do movimento negro, aos afro-religiosos, as comunidades quilombolas, etc. O que nos move é a força do coletivo, por isso as atividades desenvolvidas foram sempre realizadas em parcerias e em colaboração com outros projetos de pesquisa, como o programa Universidade no Quilombo do prof. Dr. Assunção José Pureza Amaral, com o movimento negro, como Associação de Consciência Negra Quilombo de Castanhal (ASCONQ), com as secretarias de educação e com os alunos do curso de graduação.

Por meio dessas parcerias e colaborações fraternas foi possível realizarmos diversas atividades como:

  • Participação em eventos sobre a temática racial, como o lançamento da Coletânea sobre História da África, as atividades organizadas pela Casa Brasil-Africa, o curso de danças circulares, o que contribui significativamente na formação dos alunos envolvidos no projeto;
  • Visita às comunidades quilombolas, como Laranjituba e África, no município de Abaetetuba, Itaboca em Inhangapi, Jurassaca em Tracuateua, que permitiram aproximar a universidade dessas comunidades tradicionais;
  • Realização de formação continuada de professores nos municípios de Castanhal, Tracuateua, Inhangapi e Igarapé-Açu;
  • Oferta de oficinas que abordam vários aspectos da ludicidade africana como: brincadeiras infantis africanas e jogos de tabuleiros e mancalas;
  • Realização de vivencia lúdica com as crianças das comunidades visitadas ou de escolas públicas, inclusive sobre a coordenação dos alunos de graduação que integram o projeto, como o realizado na praça do Estrela ou no município de Santa Maria.
  • Criação, desenvolvimento e administração de um site para ampliar a visibilidade das ações do projeto. Tal site serve de registro das atividades desenvolvidas servindo de memória das ações e espaço de publicação do grupo;
  • Elaboração de um e-book sobre jogos infantis africanos e afro-brasileiros para subsidiar os professores para a educação das relações etnicorraciais.

Em 2012 o projeto foi ampliado e passou a apresentar o seguinte nome: "Educação e Ludicidade Africana e Afro-brasileira: Produção de material didático e de metodologias específicas para escolas quilombolas". Nesta versão, o projeto foi submetido ao edital do Programa de Apoio a Projetos de Intervenção Metodológica, da Pró-reitoria de Graduação, da Universidade Federal do Pará (PAPIM/PROEG/UFPA), versão 2012 e ao Edital do PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSA DE EXTENSÃO – PIBEX, da Pró-reitora de Extensão – PROEX, EDITAL nº 20/2011. Em ambos os editais o projeto foi aprovado passando a equipe a ser composta por 3 bolsistas.

O projeto de 2012 toma a formação inicial e continuada de professores para a educação das relações etnicorraciais, a pesquisa e a produção de matérias didático-metodológicos sobre a cultura lúdica africana e afro-brasileira, com foco na realidade das comunidades quilombolas da Amazônia paraense, como seus três grandes desafios. Desafios assumidos com a coragem e com a alegria que caracteriza os estudos em ludicidade. Os objetivos de 2012 são:

Objetivo Geral

  • Promover a formação dos alunos de Pedagogia e dos professores do fundamental para o uso de metodologias lúdicas e de recursos didáticos específicos, voltadas ao ensino de cultura e história africana e afro-brasileira e à compreensão da realidade e especificidade das escolas quilombolas da Amazônia Paraense.


Objetivos Específicos

  • Pesquisar sobre as manifestações da cultura lúdica africana e afro-brasileira nas comunidades quilombolas da Amazônia paraense;
  • Ofertar cursos de extensão e formação continuada para professores da Educação Básica, alunos e egressos das licenciaturas sobre a utilização de atividades lúdicas na educação das relações etnicorraciais.
  • Elaborar e publicar materiais didáticos sobre a utilização de jogos e brincadeiras africanas e afro-brasileiras para a educação das relações etnicorraciais.
  • Elaborar e publicar materiais didáticos sobre a história e a cultura de comunidades quilombolas da Amazônia paraense, em especial as localizadas no nordeste do estado;
  • Contribuir para o desenvolvi mento de metodologias inovadoras e adequadas as escolas quilombolas da Amazônia;
  • Desenvolver e utilizar recursos de divulgação eletrônica (website) para socializar as atividades do grupo e como mecanismo de publicação eletrônica;
  • Elaborar e publicar artigos sobre a utilização de jogos e brincadeiras africanas e afrobrasileiras para a educação das relações etnicorraciais e sobre a realidade e especificidade das escolas quilombolas da Amazônia Paraense
  • Apoiar a produção cientifica dos alunos de graduação sobre a cultura lúdica africana e afro-brasileira e sua utilização na educação das relações etnicorraciais.
  • Apoiar a produção cientifica dos alunos de graduação sobre a realidade e a especificidade das escolas quilombolas da Amazônia Paraense.
     

Metas para 2012:

  • Realizar 2 eventos, 1(um) sobre "Formação docente e Educação das relações etnicorraciais nas escolas da Amazônia paraense" e 1 (1) sobre "Escolas quilombolas da Amazônia paraense: especificidades e desafios". O primeiro para lançamento do projeto e o segundo para apresentar os resultados das atividades desenvolvidas pelos alunos de graduação e pelas comunidades atendidas durante o projeto. Esse segundo evento também será utilizado para encerrar e avaliar as atividades desenvolvidas e lançar a produção bibliográfica realizada (brochuras de 15 x 15 cm sobre história e cultura de comunidades quilombolas do nordeste paraense,);
  • Realizar 8 oficinas pedagógicas sobre ludicidade africana e afro-brasileira e sobre cultura e história das comunidades quilombolas da Amazônia, com 8 horas cada;
  • Envolver 250 participantes nas oficinas, entre professores da educação infantil, séries iniciais, religião, educação física e arte dos municípios de Castanhal, Inhangapi e igarapé Açu, alunos e egressos de licenciatura e moradores de comunidades remanescentes de quilombos (Itaboca, Africa e Laranjituba);
  • Orientar 1 trabalho de conclusão de curso sobre as especificidades das escolas quilombolas;
  • Realizar o levantamento histórico-cultural, com ênfase em aspectos lúdicos, em duas (2) comunidades quilombolas;
  • Produzir e publicar 1 (uma) brochura (de 15 x 15 cm ) sobre história e cultura de comunidades quilombolas do nordeste paraense, com produções dos próprios alunos, professores e moradores dessas comunidades;
  • Produzir e disponibilizar no site do projeto apostilas e outros materiais didático-pedagógicos sobre ludicidade africana e afro-brasileira e sobre a história e a cultura das comunidades quilombolas da Amazônia Paraense;
  • Produzir e apresentar, na condição de autor e coautor, no mínimo 6 artigos e relatos de experiência em eventos educacionais, incentivando os alunos de graduação a escreverem sobre a experiência vivida no projeto.

Além dessas metas e objetivos, o Laab possui algumas atividades permanentes no ano de 2012, como:

  • Cine afro ufpa
  • Roda de conversa
  • Tardes lúdicas
  • Grupo de estudo


O grupo também está responsável pela organização do novo laboratório de recursos lúdicos, vinculado a Faculdade de Pedagogia, LAL mestre Verequete. Espaço organizado a partir da brinquedoteca disponibilizada pelo PARFOR pedagogia UFPA e da aquisições por meio da Agenda de Compras do Campus de Castanhal. A inauguração do espaço deve ser feita até o final de julho de 2012.

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